​Saúde no trabalho é tema de palestra no 6º Congresso do Sindjustiça-RJ

19/08/2019 | 14:19 - matéria visualizada 276 vezes
6º Congresso do Sindjustiça-RJ destaca saúde do servidor na palestra “Saúde e condições de trabalho”O 6º Congresso do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (Sindjustiça-RJ), realizado em Itaipava na cidade de Petrópolis (RJ), em seu segundo dia, destacou os resultados do relatório final da Pesquisa Nacional de Saúde: “Sofrimento e adoecimento no trabalho do judiciário e MPU”, realizada em 2018. A pesquisa, organizada pela Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) e a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), em parceria com a Universidade de Brasília, analisou os dados de 2.280 trabalhadoras e trabalhadores do judiciário brasileiro e retrata a qualidade de saúde - física e psicológica - levando em consideração indicadores como organização do trabalho, modelos de gestão, sofrimento e danos físicos, psicológicos e sociais, que são a causa do adoecimento pelo trabalho.

Elisete Traesel (UFF)Durante o evento, a professora Elisete Soares Traesel, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que ministrou a palestra “Saúde e condições de trabalho”, alertou sobre o perigo da naturalização do excesso e intensificação do trabalho. As consequências da cobrança excessiva podem ser graves.
 
A pesquisa desenvolvida com o setor judiciário concluiu que 66% têm algum tipo de doença relacionada ao trabalho. Síndrome de Burnout (esgotamento físico e emocional), estresse e ansiedade estão entre elas. Segundo especialistas, o número pode ser ainda maior - uma vez que é difícil para os trabalhadores reconhecerem que algum problema pode estar associado à função exercida, que estão adoecendo por conta do serviço que fazem. O principal fator diz respeito à sobrecarga de trabalho: número insuficiente de pessoas, prazos irrealistas e metas inatingíveis.
 
No protocolo aplicado em todos os estados, também com a participação dos servidores do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), as entidades puderam conhecer os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho no judiciário.  
 
Presidente do Sindjus-MA, Aníbal LinsPara o presidente do Sindjus-MA, Aníbal Lins, que participou do 6º Congresso Sindjustiça-RJ, a discussão em torno do tema e do resultado da pesquisa são importantes para se conhecer o panorama e se trabalhar a partir dele. “A maioria das doenças relacionadas ao trabalho é decorrente do stress causado por assédio moral e pela falta de condições de trabalho. Os servidores relatam isso constantemente e é necessário fazer algo efetivo a respeito”, destacou.
 
Assédio moral
 
Um dos pontos que aparece forte na Pesquisa Nacional de Saúde: “Sofrimento e adoecimento no trabalho do judiciário e MPU” são relatos de violência e assédio moral, reflexo de uma estrutura de gestão do trabalho individualizada e verticalizada. No entanto, de acordo com o estudo, muitas pessoas ainda desconhecem o tema e não têm clareza do que é a violência no espaço de trabalho e passa a se sentir culpada.
 
O relatório constata que nem todas as pessoas têm clara a definição de assédio, e que muitas vezes afirmam não terem vivenciado, e logo em seguida relatam cenas de assédio. Entretanto, a maioria relatou já ter sido assediada e já ter testemunhado. Infelizmente, a minoria afirma ter denunciado, não sentem se seguros, nem com respaldo para efetuar a denúncia.
 
Grande parte dos entrevistados afirma que o tribunal deveria trabalhar mais o tema, dar formação, colocar na roda, para debate; mas relatam que “na Casa da Justiça não há justiça”, o que deixa os servidores/servidoras em situação de total desamparo.
 
Buscando uma ação integrada com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o Sindjus-MA solicitou, em julho deste ano, a criação de Comissão de Prevenção e Combate ao Assédio Moral no Poder Judiciário. O requerimento protocolado pelo Sindicato dispõe sobre o acolhimento das vítimas e os procedimentos a serem adotados na instrução preliminar dos casos de assédio moral no ambiente de trabalho. O pedido para a criação da Comissão de Prevenção do Assédio Moral está em andamento e foi discutido em reunião do Comitê Gestor de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores. A Diretoria de Recursos Humanos solicitou à Divisão Médica e à Divisão Psicossocial a indicação de servidores para compor a referida comissão.
 
Consequências do Assédio Moral
 
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde: “Sofrimento e adoecimento no trabalho do judiciário e MPU”, a lista de consequências do assédio moral é preocupante: sofrimento psicológico; depressão; ansiedade; tentativa de suicídio; suicídio no tribunal; insônia; atestados médicos; problemas psiquiátricos; medo; desorganização mental; absenteísmo; ambiente hostil; medicalização; baixa autoestima e; diminuição da produtividade.
 
As reações diante do assédio sofrido ou testemunhado se repetem: medo e desolação. A maioria das pessoas se esconde e acaba se culpando por ter sido assediada, colocando em cheque a própria capacidade de produção.
 
Fenajud vai construir II Seminário de Saúde junto ao CNJ
 
A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) vai participar da construção e realização do II Seminário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a saúde de magistrados e servidores do Poder Judiciário. A entidade apresentou aos membros do Comitê Nacional de Saúde os resultados da Pesquisa de Saúde feita pela Fenajud e Fenajufe, em 2018.
 
O II Seminário Nacional sobre a Saúde dos Magistrados e Servidores do Poder Judiciário será realizado nos dias 4 e 5 de setembro, no Tribunal do Superior do Trabalho, em Brasília, e também contará com a participação do secretário de Saúde e Previdência do Sindjus-MA, José Ribamar Pacheco Araújo.


Confira vídeo com o presidente do Sindjus-MA, Anibal Líns, sobre o congresso:



 
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