Servidores de Chapadinha debatem temas específicos das carreiras e reposição de perdas inflacionárias

Servidores da Comarca de Chapadinha receberam, no último sábado (1º), mais uma etapa do I Seminário dos Núcleos das Carreiras do Sindjus-MA. O encontro foi realizado no Fórum da cidade e contou com a participação de servidores das diversas carreiras do Poder Judiciário Estadual. Antes do debate sobre as demandas específicas de cada uma dessas carreiras, o presidente em exercício do Sindjus-MA, George Ferreira, e o secretário-geral do Sindicato, Márcio Luís Andrade, atualizaram os servidores sobre as principais demandas de interesse geral da categoria, como a campanha pela reposição de perdas inflacionárias acumuladas em 16,7%, iniciada semana passada, e o novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV).

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Servidores reunidos no Fórum de Chapadinha. De pé, Márcio Luís Andrade, secretário-geral do Sindjus-MA

Servidores da Comarca de Chapadinha receberam, no último sábado (1º), mais uma etapa do I Seminário dos Núcleos das Carreiras do Sindjus-MA. O encontro foi realizado no Fórum da cidade e contou com a participação de servidores das diversas carreiras do Poder Judiciário Estadual. Antes do debate sobre as demandas específicas de cada uma dessas carreiras, o presidente em exercício do Sindjus-MA, George Ferreira, e o secretário-geral do Sindicato, Márcio Luís Andrade, atualizaram os servidores sobre as principais demandas de interesse geral da categoria, como a campanha pela reposição de perdas inflacionárias acumuladas em 16,7%, iniciada semana passada, e o novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV).

O I Seminário dos Núcleos das Carreiras em Chapadinha foi aberto com a palestra “A importância do Sindicato na Defesa dos Direitos dos Trabalhadores”, ministrada por Márcio Luís Andrade, que além de secretário-geral do Sindjus-MA, é especialista em Administração Judiciária. Na palestra, o sindicalista defendeu a união da categoria para maior efetividade das negociações com a Administração do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e demonstrou aos servidores presentes que a defasagem salarial sobre as carreiras do Judiciário já alcança o patamar de 28,77%, se considerados, além das perdas inflacionárias de 2015, 2016 e 2017, a previsão de inflação para 2018, que é de 4%, e o direito da ação judicial dos 6,1%.

A palestra foi transmitida a vivo pelo Facebook. Confira na íntegra o que foi dito aos servidores de Chapadinha.

Perdas Inflacionárias

Apesar de o Seminário ser voltado para a discussão de demandas específicas de cada carreira, a reposição das perdas inflacionárias sobre os vencimentos dos servidores do Poder Judiciário Estadual foi um dos temas mais debatidos em Chapadinha. E não é para menos, a corrosão inflacionária já alcançou o índice de 16,7%, tendo em vista que o atraso no pagamento da reposição está acumulado desde 2015.

Atualmente esta é a principal demanda da categoria como um todo. Por esta razão, a Diretoria do Sindjus-MA decidiu deflagrar uma campanha pela atualização da reposição inflacionária anual, um direito garantido pela Constituição Federal.

Presidente em exercício do Sindjus-MA, George Ferreira, fala aos servidores

“Nós queremos minimamente a manutenção do nosso poder de compra e estamos prontos para dialogar com Administração do Tribunal de Justiça sobre esta demanda. É preciso ficar bem claro para toda a sociedade que os servidores da Justiça Estadual não têm reposição desde 2015. O índice oficial acumulado é de 16,7%, mas a gente sabe que, na prática, alimento, combustível, transporte, despesas com saúde, tudo isso teve seu preço elevado acima desse percentual”, alertou George Ferreira.

De fato, no mesmo período, entre 2015 e 2018, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos (IMESC), a cesta básica na capital maranhense ficou 82,5% mais cara.

Campanha

Para mobilizar os servidores da Justiça pela reposição das perdas inflacionárias, a Diretoria do Sindjus-MA deflagrou uma campanha de conscientização da categoria. A principal mensagem é a demonstração de quanto o poder de compra o servidor da Justiça perdeu ao longo desses três anos. As peças da campanha também apresentam as garantias dadas pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional para que a revisão dos salários dos servidores públicos, conforme os índices oficiais de inflação, ocorra anualmente.

Um dos banners da campanha pela reposição das perdas salariais

Por fim, o Sindjus-MA também destaca o compromisso do servidor da Justiça com a prestação jurisdicional. Conforme o relatório anual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Justiça em Números, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) está entre os mais produtivos e céleres tribunais do país.

No relatório deste ano, que é referente ao ano de 2017, o TJMA é o segundo do país no Índice de Atendimento à Demanda do 1º grau, com percentual de 121%, enquanto que a média nacional é de 109%. O TJMA também tem o melhor tempo médio de tramitação dos processos pendentes no 2º grau, de oito meses, enquanto que a média nacional é de três anos. “O servidor da Justiça faz a sua parte. Tudo que reivindicamos é a garantia de nosso direito”, disse George Ferreira.

Carreiras


Analista de Cururupu, Saulo Carneiro de Oliveira


“Especificamente na carreira de analista, nós gostaríamos de ter uma atualização do nosso vencimento base, mas a gente entende que hoje a pauta que unifica não só os analistas, como todas as carreiras, é a reposição das perdas inflacionárias, porque ela vai beneficiar de forma isonômica todas as carreiras”, reforçou o analista judiciário Saulo Carneiro de Oliveira, que é da Comarca de Cururupu, mas integra a coordenação do Núcleo dos Analistas e foi à Chapadinha para o Seminário.

Da carreira de analista judiciário, apenas Saulo de Oliveira compareceu ao evento em Chapadinha. Um dos motivos para as ausências seria a realização do Seminário no sábado. “O Sindicato é importante como instrumento de luta e de unificação da categoria e às vezes o servidor não percebe essa importância e acaba não comparecendo. Tendo um espaço mais adequado no tempo, dentro da semana, pode facilitar essa presença, mas isso depende de cada regional”, sugeriu. “É importante que a gente saiba que o Sindicato serve como instrumento de luta dos nossos direitos”, reforçou.


Técnico de Chapadinha, Wesley Monteles da Silva

Para o técnico judiciário Wesley Monteles da Silva, de Chapadinha, a reposição das perdas inflacionárias é sim a demanda mais urgente no momento. “Mas também tem outras demandas como a questão proporcional, a questão da distância salarial entre o técnico e o analista”, lembrou. Wesley destacou a iniciativa do Sindicato de interiorizar o debate sobre as carreiras. “Foi um atitude louvável do Sindicato. A gente se sente privilegiado em tê-los aqui, principalmente, para tratar de demandas do nosso interesse. O Sindicato é a única porta que a gente tem para negociar com o patrão, que no caso seria o presidente do Tribunal de Justiça”, afirmou.
 
Entre os oficiais de justiça, as principais demandas listadas foram: a atualização da indenização pelo custo que eles arcam no cumprimento de diligências, cujos valores deveriam ter sido corrigidos em janeiro deste ano, e o excesso de trabalho. “Tem muita coisa para pouca gente na Comarca. E o custeio das diligências que está com valores defasados. Já tem um bom tempo desde a última atualização”, afirmou o oficial de justiça Melquisedeque Mendes Silva, de Chapadinha.


Oficial de justiça Melquisedeque Mendes Silva

O oficial de justiça também aprovou a realização do Seminário. “É muito louvável. Cada região tem uma demanda diferente. Fazendo isso, nós vamos filtrar as idéias e abranger o máximo de regiões possível”, disse.

Melquisedeque lembra como a categoria avançou a partir da atuação do Sindicato. “Quando eu entrei, o Sindicato era muito pequeno. E conforme foram entrando mais pessoas, o Sindicato se fortaleceu! Somente através dessa força que nós conseguimos todas as vantagens que temos hoje: a questão salarial, a questão de proteção jurídica. Se não fosse o Sindicato, nós não teríamos isso”, afirmou.

Entre os auxiliares judiciários, a principal preocupação levantada em Chapadinha foi a mesma já apontada nas outras etapas do Seminário: a correção da condição de desvio de função a partir a aprovação do novo PCCV, que extinguiria o cargo de auxiliar e elevaria os vencimentos do auxiliar em nível semelhante ao vencimento dos técnicos.


Auxiliar Daniel de Oliveira da Costa“Nós desempenhamos o mesmo serviço que os técnicos desempenham, só que isso não é reconhecido. Ou seja, é reconhecido só com você trabalhando, mas na remuneração não é reconhecido. Creio que seria o momento de isso ser revisto, de corrigir essa distorção”, disse Daniel de Oliveira da Costa, auxiliar judiciário de Chapadinha.