Aníbal Lins reassume a presidência do Sindjus-MA

O Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA) volta a ser presidido nesta terça-feira (23) por Aníbal Lins, que estava licenciado desde 06 de junho para concorrer às eleições proporcionais no Maranhão. Em entrevista, Aníbal Lins avalia sua participação no processo eleitoral, o impacto das eleições no Congresso Nacional quanto à proteção aos direitos dos trabalhadores e questões de interesse do servidor do Poder Judiciário.

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Aníbal Lins reassume a presidência do Sindjus-MA após ter se licenciado em junho O Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA) volta a ser presidido nesta terça-feira (23) por Aníbal Lins, que estava licenciado desde 06 de junho para concorrer às eleições proporcionais no Maranhão. Em entrevista, Aníbal Lins avalia sua participação no processo eleitoral, o impacto das eleições no Congresso Nacional quanto à proteção aos direitos dos trabalhadores e questões de interesse do servidor do Poder Judiciário.
 
Sobre o desempenho da diretoria do Sindjus durante sua licença, Lins enaltece o trabalho do presidente em exercício, George Ferreira, por sua dedicação e compromisso com a categoria, alvo de seu trabalho à frente da entidade. Aníbal afirmou que pretende completar as ações iniciadas nesse período que tiveram como objetivo cumprir a Carta Programa formulada pela chapa vencedora.
 
O sindicalista preocupa-se, contudo, com a defasagem no poder de compra do servidor com o não pagamento das perdas inflacionárias. Esta, entre outras pautas, será tratada na Assembleia Geral Extraordinária, convocada para o próximo dia 03 de novembro.
 
“Os servidores estão em campanha pela reposição de suas perdas inflacionárias e pela retomada do novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. Corretamente, a diretoria do Sindjus decidiu convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para decidirmos juntos, qual a posição que será firmada de forma democrática por todos. Qualquer que seja a decisão, isso terá consequências muito sérias para o futuro do Poder Judiciário do Maranhão e para nós, servidores”, destacou Aníbal Lins.
 
O presidente do Sindjus-MA, durante a entrevista, discorre ainda sobre a expectativa em relação ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil e quanto à relação institucional com o governador Flávio Dino e com o Presidente do Tribunal, Desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos.
 
Confira a entrevista com o presidentedo Sindjus-MA, Aníbal Lins.
 
Qual sua avaliação das eleições e de sua participação no processo eleitoral?
Cumpri uma missão. Defendi nas eleições uma pauta construída pelo movimento sindical brasileiro para a próxima legislatura, visando proteger direitos dos trabalhadores, defender a democracia e as conquistas da sociedade civil. Minha votação adveio basicamente da categoria, que me respondeu com sua confiança e muito carinho. Agradeço muito a todos, mas também aos meus outros amigos e amigas que me acompanharam nestas eleições. Por esse ângulo fui mais do que vitorioso. Todavia, isso não foi suficiente ainda para a conquista de um mandato parlamentar de cunho classista. Faltou sensibilizar e envolver outros segmentos da sociedade, que também seriam favorecidos com a nossa plataforma e eleição. Ao final, este ano, a bancada sindical, que já era pequena, perdeu 18 cadeiras no Congresso Nacional. Segundo os números do DIAP, as bancadas de perfil conservador e de representação dos grupos econômicos aumentaram ainda mais. Metade dos deputados federais, eleitos este ano, é considerada rica, segundo o patrimônio informado ao próprio TSE. Por esse outro ângulo, nós trabalhadores fomos derrotados.
 
Como ficam os interesses dos trabalhadores nessa nova legislatura?
Os direitos retirados dos trabalhadores no governo Michel Temer não mais voltarão com o próximo Congresso, que será muito resistente a aprovar as pautas corporativas e receptivo a atacar nossas outras conquistas que ainda resistem. As perspectivas são de muita dificuldade para os trabalhadores, especialmente para os servidores públicos. A única exceção foi a classe dos policiais civis e militares, que se uniram e fizeram uma grande bancada nesta eleição. Certamente terão seus interesses corporativos preservados numa eventual Reforma da Previdência, por exemplo. Precisamos aprender com eles essa lição e fazer o dever de casa, sendo mais unidos. Precisamos também ouvir mais o conjunto da sociedade e eleger como nossas as suas pautas, se quisermos ter como resposta o apoio dela para nossas plataformas. Por fim, falta agora o desfecho do segundo turno. É a última chance que temos ainda de pelo voto evitarmos que os próximos anos sejam ainda mais sombrios para a proteção dos direitos dos trabalhadores.
 
Qual a sua avaliação do desempenho da diretoria do Sindjus durante a sua licença e do presidente em exercício George Ferreira?
Positiva. O companheiro George Ferreira superou todas minhas expectativas. Foi um gestor muito responsável e dedicado, que buscou aproximar-se das bases, fazer uma gestão itinerante e dialogando com a Administração. Mostrou ter vocação para a função pública, equilíbrio e muito senso de organização. Plantou boas sementes para o futuro. O Sindjus precisa disso. Pretendo completar as ações iniciadas nesse período que tiveram como objetivo cumprir a Carta Programa da nossa equipe. Mas vivemos tempos muito difíceis no Brasil. Nessa hora a palavra de ordem é sempre ouvir, dialogar muito e não decidir nada sozinho. George soube fazer isso muito bem.
O vice-presidente do Sindjus-MA, George Ferreira, esteve à frente da presidância do Sindicato durante licença de Aníbal Lins 
Quais são as principais questões a serem tratadas no que diz respeito ao trabalhador do Judiciário Maranhense?
O Tribunal de Justiça propôs a modificação do acordo que estabeleceu a quota mínima de 50% de cargos comissionados para servidores efetivos, que havia sido mediado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em contrapartida sinaliza com o atendimento de algumas pautas da categoria. É uma questão muito complexa. Os servidores estão em campanha pela reposição de suas perdas inflacionárias e pela retomada do novo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. Corretamente, a diretoria do Sindjus decidiu convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para decidirmos juntos, no próximo dia 03 de novembro, qual a posição que será firmada de forma democrática por todos. Qualquer que seja a decisão, isso terá consequências muito sérias para o futuro do Poder Judiciário do Maranhão e para nós, servidores. Por isso, peço que ninguém se ausente desse debate, que tem sido conduzido de forma muito responsável e prudente pelo companheiro George Ferreira e por toda a diretoria do Sindjus-MA.
 
Quais seus planos e expectativas agora?
O mundo inteiro está aguardando o resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Não podemos dar nossa contribuição pessoal para que as coisas fiquem ainda piores. Eu só tenho um plano daqui pra frente, como dirigente sindical. Repito: ouvir sempre, dialogar mais e não decidir nada sozinho. Não sou representante de mim mesmo. Mas de uma classe inteira. O governador Flávio Dino foi reeleito, pela segunda vez, em primeiro turno, fez os dois senadores e a maioria dos deputados federais e estaduais maranhenses. Essa foi a vontade livre e soberana do povo. Há que ser respeitada. Vamos dialogar com ele. Com o Presidente do Tribunal, Desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, idem. Ele foi eleito pela maioria dos seus pares democraticamente​. Tem a confiança da Corte, o respeito da sociedade e o apoio do governador para fazer uma grande gestão. De nossa parte continuará a ter o apoio necessário para concretizar os seus objetivos em prol da melhoria da prestação jurisdicional e garantir respeito aos direitos dos servidores.