Conheça o artigo científico vencedor do V Prêmio Agnaldo Nunes

Na categoria Artigo Científico, o destaque foi o trabalho intitulado "O Impacto do Processo Judicial Eletrônico (PJe) na Eficiência do Poder Judiciário: Um Estudo de Caso no Tribunal de Justiça do Maranhão", de autoria de Gerson Oliveira Nepomuceno Junior, que analisa de forma aprofundada os efeitos da digitalização na produtividade judicial.

244 visualizações

Na categoria Artigo Científico, o destaque foi o trabalho intitulado "O Impacto do Processo Judicial Eletrônico (PJe) na Eficiência do Poder Judiciário: Um Estudo de Caso no Tribunal de Justiça do Maranhão", de autoria de Gerson Oliveira Nepomuceno Junior, que analisa de forma aprofundada os efeitos da digitalização na produtividade judicial.

A pesquisa comparou dados dos períodos de 2012–2013, quando ainda predominava o uso de processos físicos, e 2020–2025, fase de consolidação do sistema digital. Os resultados indicam avanços significativos, especialmente na redução do tempo de tramitação dos processos. O tempo acumulado para a baixa processual caiu de 282.579 dias em 2012 para 26.437 dias em 2025, uma redução superior a 90%.

Além disso, a taxa de congestionamento, indicador que mede a capacidade do Tribunal de lidar com o volume de processos, também apresentou melhora. O índice recuou de 230,62% em 2012 para 154,09% em 2025, apesar de um aumento momentâneo durante a fase de transição tecnológica.

Segundo o estudo, a implementação do PJe, desenvolvida sob coordenação do Conselho Nacional de Justiça, não apenas digitalizou os processos, mas exigiu mudanças estruturais na gestão e nos fluxos de trabalho do Judiciário. A automação de tarefas, como distribuição e movimentação processual, contribuiu diretamente para o aumento da produtividade.

No entanto, os dados também revelam que os ganhos de eficiência não foram imediatos. Durante o período inicial de implantação, especialmente em 2020, houve aumento da taxa de congestionamento, reflexo da coexistência entre sistemas físicos e eletrônicos e da adaptação de magistrados e servidores ao novo modelo.

Outro ponto destacado é o crescimento da demanda judicial. Entre 2020 e 2025, o número de novos processos aumentou significativamente, demonstrando que a digitalização também ampliou o acesso à Justiça, embora isso represente novos desafios para a gestão do acervo processual.

Apesar dos avanços, o estudo alerta para um problema persistente: a exclusão digital. A falta de acesso à internet e de capacitação tecnológica ainda dificulta o uso pleno do sistema por parte de parcelas da população, o que pode comprometer o princípio do acesso universal à Justiça. Não basta digitalizar processos; é necessário investir continuamente em capacitação, infraestrutura e políticas de inclusão.

“Durante a minha pesquisa, o maior desafio que eu percebi foi interpretar o período de transição, ou seja, a convivência entre o processo físico e o digital gerou uma sobrecarga natural de trabalho. Para mim, o Sindjuiz reconhece com esse ato que todo conhecimento produzido pelos servidores é de extrema importância para o futuro da Justiça. Esse prêmio coroa duas décadas de conhecimentos vivenciados na Casa Tribunal de Justiça”, enfatizou Gerson Nepomuceno. 

Ao comentar a premiação, o servidor do TJMA, dedicou o reconhecimento a todos aqueles que estão empenhados em construir e contribuir na construção de Judiciário moderno, mais humano e acessível. “Dessa forma, dedico esse prêmio a todos que, como eu, pensamos em fazer um Judiciário cada vez mais moderno, mas, acima de tudo, humano e acessível”, finalizou.

O presidente George Ferreira também destacou a relevância da pesquisa e da premiação. “Este trabalho evidencia como a produção científica dos servidores pode contribuir diretamente para o aprimoramento do Judiciário. A premiação reconhece não apenas a excelência acadêmica, mas, sobretudo, o compromisso com uma Justiça mais eficiente, acessível e alinhada às transformações tecnológicas da sociedade”, afirmou.