De LUTO na LUTA- Registros FotográficosLUTO OU LUTA?
Artigo de Anibal Lins – Presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão – SINDJUS/MA

Artigo de Anibal Lins – Presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão – SINDJUS/MA
O Cristo Jesus, antes de fazer sua Via Crucis, jantou com seus discípulos e disse àquele que se chamava Judas para que fizesse logo aquilo que estava em seu coração fazer. Da traição de Judas, deu-se início a toda uma série de suplícios do Divino Mestre até o Calvário. Porém, o Cristo sabia que nem mesmo Ele poderia impedir a consumação do desejo que habitava no coração de Judas, cujo amor pelo dinheiro e pelo poder o levou a trair os seus amigos e a causa à qual servira durante anos. Sem a traição do amigo infiel, não haveria a Via Crucis e nem o abatimento dos discípulos durante três intermináveis dias de profunda tristeza, indignação e luto. Mas nem a traição de Judas é capaz de barrar a manifestação da Glória do Pai Celestial. E ao final desse prazo estabelecido por Decreto Celestial, abriu-se a porta do túmulo que, até hoje, permanece vazio pelo mistério da Ressurreição, de modo que assim a Glória de Deus se manifestasse reluzente e inequívoca.
As Sagradas Escrituras se encerram afirmando que a porta que o Pai Celeste fechar mão humana alguma conseguirá abrir; e que a porta que o Pai Celeste abrir mão humana alguma conseguirá fechar. Semelhante aos tempos bíblicos, milhares de trabalhadores hoje se alternam entre a tristeza e a revolta pelo resultado de um julgamento do Tribunal de Justiça do Maranhão, que lhes subtraiu um direito essencial para as suas vidas e das suas famílias. Eu também me sinto particularmente triste pelo ocorrido. Mas sinto muito mais tristeza por quem decidiu que as coisas se resolvessem dessa maneira.
Pessoalmente, estou tranquilo. Confesso até que deixei a sala de sessões onde ocorreu o julgamento da Ação Rescisória 36.586/2014, dando glórias a Deus. Afinal, tudo o que Ele faz é perfeito. Não tenho dúvidas de que a anulação desse julgamento em breve há de servir para há de resplandecer como uma bênção tão gloriosa, a ponto de confundir aqueles que duvidaram ser possível desfazer tamanho malfeito aos servidores da Justiça. Até porque, graças a Deus, temos os meios legais e processuais para revertermos isso.
Eu não estou de LUTO PELOS 21,7%, que nos retiraram no julgamento da Ação Rescisória 36.586/2014. Não estou de luto, porque a morte não é o fim de todas as coisas. Como também porque esse assunto não está encerrado, como se fosse uma batalha perdida, como se os 21,7% retirados dos salários de milhares de pais e mães de família não fossem mais voltar. Estou de LUTO PELA JUSTIÇA. Pela fé na justiça que “morreu” na sala das Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Maranhão, onde ocorreu um julgamento político de uma ação judicial. Político porque nele prevaleceram argumentos extraprocessuais.
Mas, seja como cristão, seja como cidadão minimamente consciente e informado das coisas, creio que a justiça haverá de renascer, ressurgir, ressuscitar, agora, nos Tribunais Superiores, restabelecendo um direito subtraído subitamente dos servidores depois de mais de 1000 julgamentos do Tribunal de Justiça do Maranhão, cujos resultados anteriores disseram exatamente o contrário. Ou seja, que haviam reconhecido a existência clara e cristalina do direito dos servidores aos 21,7%. Do mesmo modo, creio ainda que os Tribunais Superiores haverão de fazer ressuscitar em nós a fé na própria Justiça, como fonte do bom direito, da segurança jurídica e da paz social.
Por tudo isso, repito e friso: NÃO ESTOU DE LUTO PELOS 21,7%. Isso é direito nosso, servidores públicos maranhenses pertencentes ao quadro de pessoal do Tribunal de Justiça do Maranhão. Estou pessoalmente, sim, de LUTO PELA JUSTIÇA. Ela é que está morta, desacreditada, politizada, e precisa reviver. Mesmo assim sigo com o coração em paz e seguro pela fé no Divino Mestre, fonte e fundamento da verdadeira justiça.
Vamos recorrer aos Tribunais Superiores. Mas também encaminhar as outras ações de pressão legítima dos trabalhadores para que que seus direitos não sejam desrespeitados. Pelos próximos três dias, que antecederão a assembleia geral dos servidores do Tribunal de Justiça, ou seja, na quarta, quinta e sexta-feira, todos nós devemos usar tarjas pretas, roupas pretas, sim, em sinal de nosso LUTO PELA JUSTIÇA. Porém que essa transitória tristeza dure o curto prazo de três dias. Do sábado, 12, data da assembleia geral, em diante, a tarefa e o desafio é o de multiplicar e irradiar em todas as comarcas, fóruns, cidades, ruas, praças, categoria de servidores públicos maranhenses, nossos adesivos 21,7% #éDireitoNosso. Esse é o selo da nossa luta e da nossa vitória, que haveremos de celebrar muito em breve mais uma vez.
A hora não é de luto. A hora é de luta e fé na vitória. Para isso é fundamental a presença de todos os servidores na Assembleia Geral convocada pelo SINDJUS-MA para o próximo sábado, 12/09, quando a categoria vai deliberar sobre cada uma das iniciativas que haverão de assegurar as almejadas novas vitórias. No mais, é ter coragem e seguir avante.


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