Projeto da Comarca de Açailândia destinou atenção a casos de jovens com comportamento autolesivo

A Comissão Avaliadora do Prêmio Agnaldo Nunes de Oliveira escolheu como vencedor, na categoria Melhor Ação Social ou Cidadã, o projeto “Valorização da Vida e Prevenção à Automutilação”, promovido pela Comarca de Açailândia.

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A Comissão Avaliadora do Prêmio Agnaldo Nunes de Oliveira escolheu como vencedor, na categoria Melhor Ação Social ou Cidadã, o projeto “Valorização da Vida e Prevenção à Automutilação”, promovido em parceria entre a 2ª Vara da Família e a Divisão Psicossocial da Comarca de Açailândia.

O projeto, que atendeu 170 adolescentes em escolas da rede municipal de Açailândia, foi inscrito pela analista judiciária, psicóloga da Divisão Psicossocial do Fórum da Comarca de Açailândia, Eline Maria Pereira Souto dos Reis, que é co-autora da ação, que também foi desenvolvida pela juíza Clécia Pereira Monteiro, pela analista judiciária Monice Zuleide Silva Diniz Freitas e pelo comissário da Infância e Juventude Diogo Lopes Magalhães.

A ideia de realizar o projeto surgiu em 2019, após duas outras ações: “Você conhece o ECA? [Estatuto da Criança e do Adolescente]” e “Acreditamos na Vida”, ambas implementadas em escolas municipais de Açailândia. Durante essas duas iniciativas foi constatado um número expressivo de casos de automutilação entre os jovens estudantes.

A partir desse contato com a realidade escolar, o projeto foi idealizado e em seguida realizado entre agosto e setembro de 2021, em cinco escolas municipais de Açailândia, alcançando 170 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos. As equipes da Divisão Psicossocial e da 2ª Vara da Família promoveram rodas de conversa com esses adolescentes que duravam 1 hora e 30 minutos.

Analista Monice Freitas, co-autora do projeto“A metodologia foi trabalhada no modelo rodas de conversas, dinâmicas de grupo, depoimentos dos adolescentes, executadas pela equipe da Divisão Psicossocial do Fórum com participação em média 15 adolescentes. Sempre no final dos trabalhados, fazíamos o sorteio de entradas de cinema, patrocinados pelos magistrados da comarca”, explicou Monice Zuleide Silva Diniz Freitas, que é analista judiciária assistente social e também integra a Divisão Psicossocial ao lado de Eline Maria.

Entre os objetivos estavam identificar o perfil dos adolescentes com comportamento autolesivo, realizar encaminhamentos para a rede de atendimento, cobrar da instituição de ensino apoio e suporte psicológico para alunos e família e estabelecer parcerias com Conselho Tutelar e Secretaria Municipal de Saúde.

Ao fim da ação, foi identificado que 52% dos jovens alcançados já se machucaram pelo menos uma vez de propósito. Em 17% desses casos, os jovens tiveram a intenção de tirar a própria vida. Em 15% dos casos, o episódio de automutilação foi planejado. E que a maioria do que tiveram esse comportamento, 60%, nunca dividiu esses sentimentos com ninguém.

“No decorrer do projeto, a 2º Vara da Família solicitou reuniões com a rede de atendimento do município (Saúde, Educação, Assistência Social, Conselho Tutelar e o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente) para propor melhorias de atendimento a essa população. Também foi produzido um fluxograma de identificação e atendimento aos casos de automutilação em adolescentes no ambiente escolar e em seguida realizada a capacitação para os gestores da educação e ao sistema de garantias dos Direitos das Crianças e Adolescentes”, relatou Monice Freitas.