Artigo de Aníbal Lins: O STF não é volúvel

Saiu o parecer da PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA - PGR para o Agravo Regimental interposto pela PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO MARANHÃO - PGE-MA na ADPF 317, no Supremo Tribunal Federal - STF, contra as ações de cobrança dos 21,7 % ganhas pelo Sindjus Maranhao e por outras entidades sindicais co-irmãs.

3.715 visualizações
Anibal Lins, Presidente do Sindjus-MA.

Por Aníbal Lins

Saiu o parecer da PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA - PGR para o Agravo Regimental interposto pela PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO MARANHÃO - PGE-MA na ADPF 317, no Supremo Tribunal Federal - STF, contra as ações de cobrança dos 21,7 % ganhas pelo Sindjus Maranhao e por outras entidades sindicais co-irmãs. Pedra cantada.Como todos já sabíamos e esperávamos, o parecer foi pelo provimento do agravo interposto pelo governador do Maranhão, Flavio Dino, contra a decisão do ministro decano Celso de Melo, que havia dado ganho de causa aos trabalhadores.

A ADPF 317 vai ser resolvida no STF pelas vias de praxe. Tradicionalmente, o Supremo não costuma ser volúvel. O governo tem, sim, as armas dele. Mas nós temos também as nossas; e temos Deus no coração. E do governador Flávio Dino, hoje, queremos só uma coisa, Queremos que ele receba as Centrais sindicais e a Cspb Brasil para discutir conosco uma solução para as ações de ilegalidade das greves dos servidores públicos estaduais, ajuizadas pela PGE.


Ministro Celso de Mello, relator da ADPF 317, no STF (Supremo Tribunal Federal).
Não vamos até o governador para botar a "faca no pescoço" dele por causa de ADPF.Vamos discutir a atuação do PGE nomeado por ele, que recebe ordens dele e com quem ele se aconselha também, pois é pessoa da confiança dele. E dizer que ele não precisa fazer com os sindicatos o que, por amostragem, resolveu fazer com o Sindjus para se sentir seguro de que terá por isso as condições necessárias para fazer um bom governo.

Nós não somos inimigos que precisam ser esmagados, contidos e calados pela violência que é o corte do ponto das nossas greves. Até porque nada disso vai nos calar e nem nos conter, se for preciso fazer a crítica ao governo para que mude algumas de suas práticas e corrija rumos. Queremos essa audiência com o governador pra pedir a ajuda dele para que os valores descontados a pedido da PGE sejam DEVOLVIDOS aos salários dos servidores, que ousaram lutar por seus DIREITOS.

"Nós não somos inimigos que precisam ser esmagados, contidos e calados pela violência que é o corte do ponto das nossas greves.", diz Anibal Lins.
Se realmente quiser, o governador pode nos ajudar muito; e ele sabe que pode. Nós queremos a audiência para ver nos olhos dele a resposta para a pergunta que está nos nossos corações e que não quer calar: FLÁVIO DINO QUER OU NAO QUER AJUDAR?

Por fim, queremos a audiência também para dizer a ele que, se quiser, pode encontrar outras formas de cortar despesas e moralizar a administração pública, que ja estão asseguradas por lei. Uma delas é fixando na Constituição do Maranhão a obrigatoriedade de pelo menos 50% dos cargos comissionados do Executivo, Judiciário e Legislativo serem destinados a servidores efetivos e estáveis dos respectivos Poderes.

No dia 24/02, por consenso, seis Centrais Sindicais e a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB decidiram pedir audiência ao Governador Flavio Dino para discutir a relação da PGE com as entidades sindicais dos servidores públicos estaduais.
O governador Flávio Dino tem ampla maioria na Assembleia Legislativa pra aprovar isso, se quiser. Mas vai fazer? Ou está mais preocupado em impedir que os servidores públicos façam greve e vai usar a PGE pra isso, como fez no pedido de cassação da liminar do Sindjus. E isso quem quer saber não somos nós apenas do Sindjus.

Esse é um questionamento que está hoje no coração e nas mentes dos dirigentes de todos os sindicatos de servidores públicos estaduais do Maranhão e das seis Centrais Sindicais, que aguardam que o governador Flávio Dino rompa com o seu silêncio e aceite nos receber em audiência para equacionar democraticamente todas essas questões. Até porque nada estamos pedindo que não seja compatível com a lei, a ética e com o mais absoluto interesse público.​

Anibal Lins , Caroline Sena, Márcio Luis, Rivelino Pereira e Pedro Davi, protocolando o pedido de audiência das Centrais Sindciais e da CSPB com o Governador Flavio Dino para discutir a atuação da PGE diante das greves dos servidores estaduais.