Sindjus-MA discute reajuste nos auxílios e salários, precatórios e lei de cargos comissionados com corregedor do CNJ

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, acompanhado do juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), Miguel Alvarenga, recebeu na manhã desta quarta-feira (27), uma comissão do Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA) para tratar de diversos assuntos. A audiência aconteceu na Diretoria Geral do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA)

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Corregedor Humberto Martins; juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Miguel Alvarenga; presidente do Sindjus-MA, Aníbal Lins; e o advogado da entidade, Nathan Chaves, durante audiênciaO corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, acompanhado do juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), Miguel Alvarenga, recebeu na manhã desta quarta-feira (27), uma comissão do Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA) - formada pelo presidente Aníbal Lins, pelo vice-presidente George Ferreira, pelo advogado da entidade, Nathan Chaves, e pelo representante sindical Igor Sérgio Oliveira, do Fórum de São Luís - para tratar de diversos assuntos. A audiência aconteceu na Diretoria Geral do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
 
O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, está no Maranhão, no período de 25 a 29 de março, para realizar correição geral do Poder Judiciário Estadual. A inspeção tem objetivo de verificar o funcionamento dos setores administrativos e judiciais do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) e das serventias extrajudiciais do estado.
 
Na pauta da audiência, o sobrestamento do reajuste nos auxílios alimentação e saúde dos servidores da Justiça do Maranhão, com base na Recomendação 31 da Corregedoria do CNJ; o atraso nos repasses constitucionais pelo Estado do Maranhão para o pagamento de precatórios; cumprimento da lei de cargos comissionados (Lei Estadual 10.712/2017); entre outros.
 
Sobrestamento do reajuste nos auxílios e vencimentos
 
Quanto ao sobrestamento do reajuste nos auxílios alimentação e saúde dos servidores da Justiça do Maranhão, com base na Recomendação 31 da Corregedoria do CNJ, (Pedido de Providências 0009879-65.2017.2.00.0000), o corregedor Humberto Martins informou que não decidirá monocraticamente nenhum pedido de reconsideração, tanto feito por entidade de servidores quanto de magistrados, e que levará o caso para decisão colegiada do plenário do CNJ. 

O advogado do Sindjus-MA, Nathan Chaves, explicou que o corregedor poderia decidir monocraticamente e excluir os servidores de sua decisão, porque o pedido de Pedido de Providências trata especificamente de reajuste dos juízes e porque os benefícios dos servidores são assegurados por lei, não podendo ser sobrestados por um ato administrativo do CNJ. Mesmo assim, o ministro Humberto Martins sustentou que não ia adiantar nenhuma decisão, e que vai submeter sua posição diretamente ao plenário do CNJ. 

O corregedor esclareceu ainda que já pediu ao presidente do CNJ, Ministro Dias Toffolli, que paute a matéria para julgamento colegiado, o que já deveria ter sido feito há pelo menos duas sessões. Humberto Martins afirmou que vai insistir na prioridade dessa matéria, que tem repercussão para todos os tribunais brasileiros e não apenas para o Tribunal de Justiça do Maranhão.
 
Pagamento de Precatórios
 
Sobre o Pedido de Providências, nº 0000981-92.2019.2.00.0000, de autoria do Sindjus-MA, denunciando o atraso por parte do Estado do Maranhão no repasse de valores mensais para o pagamento de precatórios, o ministro Humberto Martins declarou que foi informado que Ministério Público já apresentou parecer solicitado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão necessário para julgar o caso.

Dessa forma, ele informou, também, que até terça-feira (2 de abril) julgará o Pedido de Providências do Sindicato, que pede que seja determinado ao Tribunal de Justiça o bloqueio dos recursos indispensáveis para cobrir as parcelas inadimplentes do estado e necessárias para atualização da fila de precatórios.
 
Cargos Comissionados 
 
Outra pauta tratada durante a audiência foi a proposta do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no dia 18 de dezembro passado, para que seja alterado o cronograma estabelecido na Lei Estadual 10.712/2017, a qual define o percentual mínimo de cargos comissionados a serem ocupados por servidores efetivos do Poder Judiciário do Maranhão até 2022. Na referida sessão, o plenário do CNJ, com o voto do próprio corregedor, também autorizou o TJMA a criar mais 279 cargos de assessoramento para juízes no Primeiro Grau, medida que acarretará despesas de aproximadamente R$ 29 milhões.

O presidente do Sindjus-MA, Aníbal Lins, entregou, ao corregedor Humberto Martins, certidão atestando que o Tribunal de Justiça do Maranhão opera acima da Lei de Responsabilidade Fiscal, estando, portanto, impedido de criar novos cargos comissionados. Lins perguntou se o Tribunal prestou tal informação ao ministro por ocasião da votação na sessão do CNJ, do dia 18 de dezembro passado. O corregedor decidiu então, de pronto, apurar os fatos e pedir informações ao Tribunal de Justiça do Maranhão para que ele possa decidir sobre a denúncia apresentada pelo Sindicato. 
 
O presidente do Sindjus-MA, Aníbal Lins, defende como forma do Tribunal de Justiça do Maranhão se enquadrar na Lei de Responsabilidade Fiscal, o imediato e concomitante cumprimento da Lei Estadual 10.712/2017, que garante o aumento no percentual de servidores efetivos nos cargos comissionados, o que geraria significativa economia para o poder judiciário maranhense.
 
Convenção 151 da OIT
 
Aníbal Lins também entregou, ao corregedor nacional de Justiça, correspondência recebida do Chefe da Unidade de Coordenação de Negociação Coletiva e Liberdade de Associação Sindical, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), doutor Xavier Beaudonnet, informando que a representação conjunta feita pela Internacional de Serviço Público (ISP), Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) e pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA), denunciando práticas antissindicais e violação da Convenção 151 pelo judiciário maranhense, será julgada na Assembleia Geral da OIT em junho próximo, em Genebra, na Suíça.

O presidente do Sindjus-MA justificou a denúncia pela resistência do Tribunal de Justiça do Maranhão em resolver os conflitos trabalhistas pela via da negociação, da mediação, da conciliação ou da arbitragem, assegurada a participação do Sindicato, como preconiza a Convenção 151 da OIT, da qual o governo brasileiro é signatário. Aníbal Lins solicitou ao corregedor do CNJ que fiscalize o cumprimento da referida convenção pelos tribunais brasileiros.

 O corregedor Humberto Martins respondeu que iria acompanhar o caso, e ressaltou que a resolução de conflitos pela via da negociação, da mediação, da conciliação ou da arbitragem são postulados também consagrados no Novo Código de Processo Civil.