Em depoimento prestado na última terça-feira (18), ao juiz Jamil Aguiar da Silva, o presidiário Márcio Ferreira da Silva, que cumpre pena em regime condicional, denunciou a existência de outras irregularidades no Núcleo de Advocacia Voluntária (NAV), que funciona na Penitenciária de Pedrinhas, além da suposta cobrança para as saídas temporárias. Entre as denúncias, está o fato de o cartão corporativo do Tribunal de Justiça do Maranhão estar sendo usado pela coordenadora do NAV, Marilene Aranha Carneiro Silveira, para fins pessoais.
Segundo o juiz Jamil Aguiar, o depoimento foi uma iniciativa do próprio preso, mas este não explicou as motivações para tal decisão. Márcio Ferreira teria dito que sabe das irregularidades porque trabalhou no Núcleo e morou na casa da coordenadora, localizada no Parque Pindorama; e que, desde o mês de novembro, do ano passado, foi desligado do NAV e saiu da residência de Marilene Aranha.
O presidiário contou ainda que a coordenadora solicitou o desligamento dele do Núcleo e providenciou também a retirada do nome de Márcio Ferreira da folha de pagamento do projeto do qual o detento participava, por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP). E ainda que Marilene Aranha teria proibido o acesso do preso às dependências do Tribunal de Justiça.
Em seu depoimento, Márcio Ferreira disse que, certo dia, teria sido abordado por dois policiais militares, que fazem a segurança de Marilene Aranha, e foi exigido que o presidiário não mais passasse na rua onde a coordenadora do NAV reside, a fim de evitar que ele fizesse algo contra Marilene e seus familiares. Essa atitude seria pelo fato de o preso continuar morando no Parque Pindorama, na casa de outra mulher.
Uso indevido do cartão – Márcio Ferreira informou que a coordenadora do NAV usaria o cartão corporativo do TJ-MA para efetuar compras de produtos que atenderiam apenas seu interesse pessoal, e não para atender aos encarcerados que é a sua real finalidade. Entre os objetos comprados indevidamente, estariam materiais escolares para os filhos de Marilene Aranha, além de outras coisas de sua necessidade particular.
Foi denunciado também pelo detento que as cestas básicas, recolhidas pelo Fórum Desembargador Sarney Costa e doadas para o Núcleo, a fim de serem distribuídas para os presos, seriam desmanchadas pela coordenadora, e que parte do conteúdo era entregue às famílias dos presidiários e a outra parte iria para a casa de Marilene Aranha.
Consta ainda do depoimento de Márcio Ferreira a denúncia de que existiria a prática de assédio moral, por parte da coordenadora, oprimindo e difamando as pessoas que trabalham no Núcleo. E que essas situações seriam de conhecimento do psicólogo Paulo Guilherme, do Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário. Porém, o preso disse não saber se tais fatos são de conhecimento do desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, que seria o coordenador estadual do Grupo, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O detento adiantou apenas que o psicólogo teria afirmado repassar todos os seus relatórios do seu trabalho para Froz Sobrinho.
Outra denúncia feita por Márcio Ferreira ao juiz Jamil Aguiar foi de que a coordenadora teria conhecimento de que Manassés Martan cobrava dinheiro aos detentos de Pedrinhas para a elaboração de petições e outros serviços. E que quatro vezes por semana, quando saía do trabalho com Marilene, ela passava na casa de Manassés e os dois ficavam bastante tempo conversando em particular.
De acordo com o presidiário, Manassés teria bastante credibilidade junto aos presos porque utilizava o carro do Tribunal de Justiça, acompanhado somente do motorista, durante as visitas que fazia às unidades do Sistema Penitenciário. Além disso, Manassés, na ausência de Marilene Aranha, assumia a cadeira e a mesa dela, dentro do Núcleo de Advocacia, coisa que não era feita nem pelo coordenador substituto, Gerson Lélis.
Márcio Ferreira contou, ainda, em seu depoimento, que desde dezembro do ano passado está sem assistência do Núcleo de Advocacia Voluntária, afirmando não ter nenhuma atividade. E que precisa que o NAV o ajude a conseguir um trabalho.
O psicólogo Paulo Guilherme foi ouvido pela redação do Jornal Pequeno e confirmou conhecer Márcio Ferreira. Porém, ele se negou a falar sobre as denúncias feitas pelo presidiário, se limitando apenas a dizer que tudo o que sabia foi repassado para a “autoridade competente”, no caso o desembargador Froz Sobrinho.
Denúncias vazias – O JP também manteve contato com o desembargador Froz Sobrinho, que classificou as denúncias feitas por Márcio Ferreira de “vazias”. Ele disse que sobre o cartão corporativo apenas a administração do TJ é que poderia falar alguma coisa, uma vez que seria este o setor responsável por controlar o uso dele.
Froz Sobrinho afirmou que repassou o depoimento prestado pelo presidiário para a Corregedoria do Tribunal de Justiça e para a Secretaria de Administração Penitenciária, a fim de que as denúncias sejam apuradas. O desembargador contou que não tem conhecimento da ocorrência de assédio moral e que não acredita que Marilene Aranha fosse capaz dessa prática, uma vez que confia plenamente nela. Outra informação que Froz Sobrinho disse desconhecer foi o fato de Manassés Martan ter utilizado o carro do TJ, acompanhado apenas do motorista.
O juiz Jamil Aguiar, por sua vez, confirmou ter ouvido o depoimento de Márcio Ferreira e disse que este havia se apresentado de forma espontânea, afirmando que pretendia prestar as declarações. Jamil Aguiar declarou que não poderia dar total credibilidade ao que foi dito pelo detento, e que tudo precisa ser investigado. Adiantou que vai examinar tudo com cautela, para estabelecer as linhas de investigações que irá adotar.
Compras com nota fiscal – A coordenadora do Núcleo de Advocacia Voluntária, Marilene Aranha, disse que todas as compras feitas com o cartão do TJ possuem nota fiscal e que tudo será apurado. Ela disse não recordar de que Manassés tivesse usado o carro do Tribunal para visitar as unidades, apenas acompanhado do motorista. Afirmou que ele sempre faz as visitas, acompanhado de funcionários do TJ e da SSP.
Marilene informou que a retirada de Márcio Ferreira do Núcleo e do projeto no qual ele trabalhava se deu porque o detento desrespeitou algumas normas. E que as cestas básicas vão para a casa dela pelo fato de o TJ não possuir espaço para abrigá-las, sendo que na sua residência são montados os kits para serem doados aos presos.
A respeito do assédio moral, ela também disse desconhecer, e que o relatório do psicólogo teria sido passado para o desembargador Froz Sobrinho. Segundo Marilene, as visitas feitas a Manassés ocorriam pelo fato de ter amizade com ele e sua mulher, sendo que ia à residência do casal para levar alguma coisa ou convidá-los para ir à igreja. Informou ainda que Manassés usava sua cadeira e sua mesa no Núcleo, mas não como se estivesse assumindo a função dela.
Sindjus pede apuração das denúncias – Tendo em vista a gravidade das denúncias, o Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (SINDJUS-MA) protocolou pedido de providências junto à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apure os fatos. "As denúncias exigem cautela, mas também apuração rigorosa, pois envolve o pessoas ligadas ao Poder Judiciário e a projetos mantidos sob a tutela da instituição", justificou Anibal Lins, presidente do Sindjus.
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Em depoimento prestado na última terça-feira (18), ao juiz Jamil Aguiar da Silva, o presidiário Márcio Ferreira da Silva, que cumpre pena em regime condicional, denunciou a existência de outras irregularidades no Núcleo de Advocacia Voluntária (NAV), que funciona na Penitenciária de Pedrinhas, além da suposta cobrança para as saídas temporárias. Entre as denúncias, está o fato de o cartão corporativo do Tribunal de Justiça do Maranhão estar sendo usado pela coordenadora do NAV, Marilene Aranha Carneiro Silveira, para fins pessoais.
Segundo o juiz Jamil Aguiar, o depoimento foi uma iniciativa do próprio preso, mas este não explicou as motivações para tal decisão. Márcio Ferreira teria dito que sabe das irregularidades porque trabalhou no Núcleo e morou na casa da coordenadora, localizada no Parque Pindorama; e que, desde o mês de novembro, do ano passado, foi desligado do NAV e saiu da residência de Marilene Aranha.
O presidiário contou ainda que a coordenadora solicitou o desligamento dele do Núcleo e providenciou também a retirada do nome de Márcio Ferreira da folha de pagamento do projeto do qual o detento participava, por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP). E ainda que Marilene Aranha teria proibido o acesso do preso às dependências do Tribunal de Justiça.
Em seu depoimento, Márcio Ferreira disse que, certo dia, teria sido abordado por dois policiais militares, que fazem a segurança de Marilene Aranha, e foi exigido que o presidiário não mais passasse na rua onde a coordenadora do NAV reside, a fim de evitar que ele fizesse algo contra Marilene e seus familiares. Essa atitude seria pelo fato de o preso continuar morando no Parque Pindorama, na casa de outra mulher.
Uso indevido do cartão – Márcio Ferreira informou que a coordenadora do NAV usaria o cartão corporativo do TJ-MA para efetuar compras de produtos que atenderiam apenas seu interesse pessoal, e não para atender aos encarcerados que é a sua real finalidade. Entre os objetos comprados indevidamente, estariam materiais escolares para os filhos de Marilene Aranha, além de outras coisas de sua necessidade particular.
Foi denunciado também pelo detento que as cestas básicas, recolhidas pelo Fórum Desembargador Sarney Costa e doadas para o Núcleo, a fim de serem distribuídas para os presos, seriam desmanchadas pela coordenadora, e que parte do conteúdo era entregue às famílias dos presidiários e a outra parte iria para a casa de Marilene Aranha.
Consta ainda do depoimento de Márcio Ferreira a denúncia de que existiria a prática de assédio moral, por parte da coordenadora, oprimindo e difamando as pessoas que trabalham no Núcleo. E que essas situações seriam de conhecimento do psicólogo Paulo Guilherme, do Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário. Porém, o preso disse não saber se tais fatos são de conhecimento do desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, que seria o coordenador estadual do Grupo, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O detento adiantou apenas que o psicólogo teria afirmado repassar todos os seus relatórios do seu trabalho para Froz Sobrinho.
Outra denúncia feita por Márcio Ferreira ao juiz Jamil Aguiar foi de que a coordenadora teria conhecimento de que Manassés Martan cobrava dinheiro aos detentos de Pedrinhas para a elaboração de petições e outros serviços. E que quatro vezes por semana, quando saía do trabalho com Marilene, ela passava na casa de Manassés e os dois ficavam bastante tempo conversando em particular.
De acordo com o presidiário, Manassés teria bastante credibilidade junto aos presos porque utilizava o carro do Tribunal de Justiça, acompanhado somente do motorista, durante as visitas que fazia às unidades do Sistema Penitenciário. Além disso, Manassés, na ausência de Marilene Aranha, assumia a cadeira e a mesa dela, dentro do Núcleo de Advocacia, coisa que não era feita nem pelo coordenador substituto, Gerson Lélis.
Márcio Ferreira contou, ainda, em seu depoimento, que desde dezembro do ano passado está sem assistência do Núcleo de Advocacia Voluntária, afirmando não ter nenhuma atividade. E que precisa que o NAV o ajude a conseguir um trabalho.
O psicólogo Paulo Guilherme foi ouvido pela redação do Jornal Pequeno e confirmou conhecer Márcio Ferreira. Porém, ele se negou a falar sobre as denúncias feitas pelo presidiário, se limitando apenas a dizer que tudo o que sabia foi repassado para a “autoridade competente”, no caso o desembargador Froz Sobrinho.
Denúncias vazias – O JP também manteve contato com o desembargador Froz Sobrinho, que classificou as denúncias feitas por Márcio Ferreira de “vazias”. Ele disse que sobre o cartão corporativo apenas a administração do TJ é que poderia falar alguma coisa, uma vez que seria este o setor responsável por controlar o uso dele.
Froz Sobrinho afirmou que repassou o depoimento prestado pelo presidiário para a Corregedoria do Tribunal de Justiça e para a Secretaria de Administração Penitenciária, a fim de que as denúncias sejam apuradas. O desembargador contou que não tem conhecimento da ocorrência de assédio moral e que não acredita que Marilene Aranha fosse capaz dessa prática, uma vez que confia plenamente nela. Outra informação que Froz Sobrinho disse desconhecer foi o fato de Manassés Martan ter utilizado o carro do TJ, acompanhado apenas do motorista.
O juiz Jamil Aguiar, por sua vez, confirmou ter ouvido o depoimento de Márcio Ferreira e disse que este havia se apresentado de forma espontânea, afirmando que pretendia prestar as declarações. Jamil Aguiar declarou que não poderia dar total credibilidade ao que foi dito pelo detento, e que tudo precisa ser investigado. Adiantou que vai examinar tudo com cautela, para estabelecer as linhas de investigações que irá adotar.
Compras com nota fiscal – A coordenadora do Núcleo de Advocacia Voluntária, Marilene Aranha, disse que todas as compras feitas com o cartão do TJ possuem nota fiscal e que tudo será apurado. Ela disse não recordar de que Manassés tivesse usado o carro do Tribunal para visitar as unidades, apenas acompanhado do motorista. Afirmou que ele sempre faz as visitas, acompanhado de funcionários do TJ e da SSP.
Marilene informou que a retirada de Márcio Ferreira do Núcleo e do projeto no qual ele trabalhava se deu porque o detento desrespeitou algumas normas. E que as cestas básicas vão para a casa dela pelo fato de o TJ não possuir espaço para abrigá-las, sendo que na sua residência são montados os kits para serem doados aos presos.
A respeito do assédio moral, ela também disse desconhecer, e que o relatório do psicólogo teria sido passado para o desembargador Froz Sobrinho. Segundo Marilene, as visitas feitas a Manassés ocorriam pelo fato de ter amizade com ele e sua mulher, sendo que ia à residência do casal para levar alguma coisa ou convidá-los para ir à igreja. Informou ainda que Manassés usava sua cadeira e sua mesa no Núcleo, mas não como se estivesse assumindo a função dela.
Sindjus pede apuração das denúncias – Tendo em vista a gravidade das denúncias, o Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (SINDJUS-MA) protocolou pedido de providências junto à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apure os fatos. "As denúncias exigem cautela, mas também apuração rigorosa, pois envolve o pessoas ligadas ao Poder Judiciário e a projetos mantidos sob a tutela da instituição", justificou Anibal Lins, presidente do Sindjus.
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Cartão corporativo do TJ estaria sendo usado para fins particulares
25/01/2011 | 00:00 - matéria visualizada 1133 vezes
Em depoimento prestado na última terça-feira (18), ao juiz Jamil Aguiar da Silva, o presidiário Márcio Ferreira da Silva, que cumpre pena em regime condicional, denunciou a existência de outras irregularidades no Núcleo de Advocacia Voluntária (NAV), que funciona na Penitenciária de Pedrinhas, além da suposta cobrança para as saídas temporárias. Entre as denúncias, está o fato de o cartão corporativo do Tribunal de Justiça do Maranhão estar sendo usado pela coordenadora do NAV, Marilene Aranha Carneiro Silveira, para fins pessoais.
Segundo o juiz Jamil Aguiar, o depoimento foi uma iniciativa do próprio preso, mas este não explicou as motivações para tal decisão. Márcio Ferreira teria dito que sabe das irregularidades porque trabalhou no Núcleo e morou na casa da coordenadora, localizada no Parque Pindorama; e que, desde o mês de novembro, do ano passado, foi desligado do NAV e saiu da residência de Marilene Aranha.
O presidiário contou ainda que a coordenadora solicitou o desligamento dele do Núcleo e providenciou também a retirada do nome de Márcio Ferreira da folha de pagamento do projeto do qual o detento participava, por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP). E ainda que Marilene Aranha teria proibido o acesso do preso às dependências do Tribunal de Justiça.
Em seu depoimento, Márcio Ferreira disse que, certo dia, teria sido abordado por dois policiais militares, que fazem a segurança de Marilene Aranha, e foi exigido que o presidiário não mais passasse na rua onde a coordenadora do NAV reside, a fim de evitar que ele fizesse algo contra Marilene e seus familiares. Essa atitude seria pelo fato de o preso continuar morando no Parque Pindorama, na casa de outra mulher.
Uso indevido do cartão – Márcio Ferreira informou que a coordenadora do NAV usaria o cartão corporativo do TJ-MA para efetuar compras de produtos que atenderiam apenas seu interesse pessoal, e não para atender aos encarcerados que é a sua real finalidade. Entre os objetos comprados indevidamente, estariam materiais escolares para os filhos de Marilene Aranha, além de outras coisas de sua necessidade particular.
Foi denunciado também pelo detento que as cestas básicas, recolhidas pelo Fórum Desembargador Sarney Costa e doadas para o Núcleo, a fim de serem distribuídas para os presos, seriam desmanchadas pela coordenadora, e que parte do conteúdo era entregue às famílias dos presidiários e a outra parte iria para a casa de Marilene Aranha.
Consta ainda do depoimento de Márcio Ferreira a denúncia de que existiria a prática de assédio moral, por parte da coordenadora, oprimindo e difamando as pessoas que trabalham no Núcleo. E que essas situações seriam de conhecimento do psicólogo Paulo Guilherme, do Grupo de Monitoramento do Sistema Carcerário. Porém, o preso disse não saber se tais fatos são de conhecimento do desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, que seria o coordenador estadual do Grupo, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O detento adiantou apenas que o psicólogo teria afirmado repassar todos os seus relatórios do seu trabalho para Froz Sobrinho.
Outra denúncia feita por Márcio Ferreira ao juiz Jamil Aguiar foi de que a coordenadora teria conhecimento de que Manassés Martan cobrava dinheiro aos detentos de Pedrinhas para a elaboração de petições e outros serviços. E que quatro vezes por semana, quando saía do trabalho com Marilene, ela passava na casa de Manassés e os dois ficavam bastante tempo conversando em particular.
De acordo com o presidiário, Manassés teria bastante credibilidade junto aos presos porque utilizava o carro do Tribunal de Justiça, acompanhado somente do motorista, durante as visitas que fazia às unidades do Sistema Penitenciário. Além disso, Manassés, na ausência de Marilene Aranha, assumia a cadeira e a mesa dela, dentro do Núcleo de Advocacia, coisa que não era feita nem pelo coordenador substituto, Gerson Lélis.
Márcio Ferreira contou, ainda, em seu depoimento, que desde dezembro do ano passado está sem assistência do Núcleo de Advocacia Voluntária, afirmando não ter nenhuma atividade. E que precisa que o NAV o ajude a conseguir um trabalho.
O psicólogo Paulo Guilherme foi ouvido pela redação do Jornal Pequeno e confirmou conhecer Márcio Ferreira. Porém, ele se negou a falar sobre as denúncias feitas pelo presidiário, se limitando apenas a dizer que tudo o que sabia foi repassado para a “autoridade competente”, no caso o desembargador Froz Sobrinho.
Denúncias vazias – O JP também manteve contato com o desembargador Froz Sobrinho, que classificou as denúncias feitas por Márcio Ferreira de “vazias”. Ele disse que sobre o cartão corporativo apenas a administração do TJ é que poderia falar alguma coisa, uma vez que seria este o setor responsável por controlar o uso dele.
Froz Sobrinho afirmou que repassou o depoimento prestado pelo presidiário para a Corregedoria do Tribunal de Justiça e para a Secretaria de Administração Penitenciária, a fim de que as denúncias sejam apuradas. O desembargador contou que não tem conhecimento da ocorrência de assédio moral e que não acredita que Marilene Aranha fosse capaz dessa prática, uma vez que confia plenamente nela. Outra informação que Froz Sobrinho disse desconhecer foi o fato de Manassés Martan ter utilizado o carro do TJ, acompanhado apenas do motorista.
O juiz Jamil Aguiar, por sua vez, confirmou ter ouvido o depoimento de Márcio Ferreira e disse que este havia se apresentado de forma espontânea, afirmando que pretendia prestar as declarações. Jamil Aguiar declarou que não poderia dar total credibilidade ao que foi dito pelo detento, e que tudo precisa ser investigado. Adiantou que vai examinar tudo com cautela, para estabelecer as linhas de investigações que irá adotar.
Compras com nota fiscal – A coordenadora do Núcleo de Advocacia Voluntária, Marilene Aranha, disse que todas as compras feitas com o cartão do TJ possuem nota fiscal e que tudo será apurado. Ela disse não recordar de que Manassés tivesse usado o carro do Tribunal para visitar as unidades, apenas acompanhado do motorista. Afirmou que ele sempre faz as visitas, acompanhado de funcionários do TJ e da SSP.
Marilene informou que a retirada de Márcio Ferreira do Núcleo e do projeto no qual ele trabalhava se deu porque o detento desrespeitou algumas normas. E que as cestas básicas vão para a casa dela pelo fato de o TJ não possuir espaço para abrigá-las, sendo que na sua residência são montados os kits para serem doados aos presos.
A respeito do assédio moral, ela também disse desconhecer, e que o relatório do psicólogo teria sido passado para o desembargador Froz Sobrinho. Segundo Marilene, as visitas feitas a Manassés ocorriam pelo fato de ter amizade com ele e sua mulher, sendo que ia à residência do casal para levar alguma coisa ou convidá-los para ir à igreja. Informou ainda que Manassés usava sua cadeira e sua mesa no Núcleo, mas não como se estivesse assumindo a função dela.
Sindjus pede apuração das denúncias – Tendo em vista a gravidade das denúncias, o Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (SINDJUS-MA) protocolou pedido de providências junto à Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apure os fatos. "As denúncias exigem cautela, mas também apuração rigorosa, pois envolve o pessoas ligadas ao Poder Judiciário e a projetos mantidos sob a tutela da instituição", justificou Anibal Lins, presidente do Sindjus.