Senadores do CAE aliados de Temer aprovaram texto da Reforma Trabalhista

7/06/2017 | 15:19 - matéria visualizada 1678 vezes
Senadores do CAE aliados de Temer aprovaram texto da Reforma Trabalhista
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou na terça-feira (6), por 14 votos a 11, o relatório do Projeto de Lei da Câmara (PLC 38/2017) que trata da Reforma Trabalhista e que impõe dezenas de alterações na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Contrários à proposta os senadores Paulo Paim (PT-RS), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Lídice da Mata (PSB-BA) apresentaram votos em separado.

O parecer do relator, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), com a ressalva de que fez sugestões de veto de conteúdo ao presidente Michel Temer (PMDB). Segundo ele, se alterasse o texto, aprovado na Câmara em 26 de abril, os deputados da base aliada do governo não aceitariam e manteriam o texto original.

Sem muitos argumentos plausíveis para defender a matéria, apenas um senador da base aliada pediu a palavra para defender o governo durante a sessão, presidida pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Sendo que antes da votação a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) criticou o fato de Ferraço ter escolhido não operar alterações de conteúdo na proposta, mesmo tendo declarado objeções ao texto.
                 
“É uma pena que o senador tenha escolhido ser um carimbador da maior agenda da retirada de direitos da história de luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. […]  O senador Ferraço tapou os ouvidos em relação aos anseios da sociedade civil.”, acrescentou Fátima, para quem Ferraço “ouviu só os empresários” ao relatar a matéria.

“O projeto é muito perverso!”, emendou Paim, sugerindo a suspensão da votação da reforma e, dirigindo-se a Ferraço, endossando a fala de Fátima Bezerra. “Vossa excelência está engolindo isso aqui. E isso é um elogio, porque conheço vossa excelência.” Embora divergências tenham provocado certa tensão durante a sessão, os conseguiram manter as divergências no nível da ideologia ou das circunstâncias. O líder da bancada do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) fez questão de ordem e por critérios de proporcionalidade, sugeriu incluir mais um membro do seu Partido na CAE.

Segundo ele, trata-se da discussão de uma matéria muito importante e, nesse sentido, caberia à inclusão de mais um congressista no colegiado. “Os custos de produção no Brasil são altos, mas o custo de trabalho não é o pior!”, reclamou Renan.
 
O Presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores José Carlixto Ramos divulgou hoje uma carta onde repudia a aprovação da Reforma Trabalhista na CAE do Senado.
Leia na Integra a carta:
 
Brasília, 07 de junho de 2017 -  A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) lamenta e repudia o parecer da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que seguiu a relatoria do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) favorável à Reforma Trabalhista, mantendo todo o conteúdo do texto aprovado pela Câmara. Com esse posicionamento, a maioria dos senadores que integram a CAE mostra desprezo pelos anseios da classe trabalhadora e total falta de diálogo com o povo brasileiro, que já mostrou nas ruas sua insatisfação com as reformas defendidas pelo governo Temer e seus apoiadores.  
 
Toda a sociedade brasileira e os movimentos sociais e sindicais esperam agora que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, para onde o texto deve seguir, tenha a sensibilidade de entender o quão prejudicial esta reforma é para os trabalhadores e as trabalhadoras. A única intenção desse projeto é rasgar a CLT e retirar direitos adquiridos durante anos de lutas.
 
O resultado de 14 votos contra 11 reafirma a necessidade da atuação dentro do Congresso Nacional e do diálogo com os parlamentares da base. Agradecemos os 11 parlamentares que votaram pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, em especial aos senadores Paulo Paim (PT-RS), Lídice da Mata (PSB-BA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que fizeram a leitura do voto em separado.
 
Que possamos renovar nosso espírito de luta e mobilização até que a proposta chegue à sua fase final no Senado, o plenário da Casa.
 
Por nenhum direito a menos!

José Calixto Ramos
 
Presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores
 
Fonte: Site da Nova Central
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