TJ-RJ corta o ponto dos servidores em greve
3/12/2010 | 00:00 - matéria visualizada 409 vezesAproximadamente 500 serventuários compareceram à Assembléia Geral da categoria realizada na tarde de ontem, quinta-feira, 02/12, em frente ao Fórum Central da cidade do Rio de Janeiro. A continuidade da greve pelo pagamento dos 24% para todos trabalhadores do Judiciário fluminense foi aprovada por grande maioria dos presentes. Esse índice é fruto de decisão judicial já transitada em julgado, cujo pagamento é reivindicado pela classe. O Governo e o TJ-RJ, contudo, se recusam a pagar esse valor aos serventuários que não figuram como substituídos na ação impetrada pelo Sindicato dos Servidores e Serventuários do Rio de Janeiro – SINDJUSTIÇA.
Nem o cansaço de mais de quarentas dias de paralisação, nem o desconto dos dias parados, e muito menos o forte calor impediram que centenas de servidores atendessem ao chamado do sindicato e viessem para a Assembléia.
No rosto de cada grevista prevalecia a determinação e a coragem em lutar pela isonomia e, desta forma, garantir os 24% nos contracheques de todos. Guerreiros e guerreiras conscientes dos seus direitos, que não se deixam abater com as retaliações desferidas pela Administração do TJRJ.
Neste clima, após as defesas de manutenção e suspensão do movimento iniciado no último dia 19 de outubro, foi aprovada, por grande maioria, a continuidade da greve. “A greve é forte não pelo seu quantitativo, pois nem sempre quantidade representa tudo. Ela é forte pela sua qualidade política em enfrentar tantas adversidades e pela forte conscientização que está enraizada entre os que dela participam. A greve já arrancou o pagamento dos 24% aos autores e, agora, segue até que o percentual seja estendido a todos, além de reverter todas as arbitrariedades desferidas pelo Tribunal”, afirmou Amarildo Silva, coordenador geral do SINDJUSTIÇA.
Enquanto a Assembléia acontecia, a Comissão de Negociação da categoria tentou se reunir com a Presidência do TJRJ, porém não teve êxito. Também não foi possível contatar o deputado estadual Edson Albertassi, que havia dito um dia antes que buscaria uma resposta junto ao Tribunal quanto à proposta feita pela Comissão para garantir o pagamento dos 24% a todos. A próxima Assembléia Geral será realizada no dia 9 de dezembro, quinta-feira, às 15h, também em frente ao Fórum Central.
SINDJUSTIÇA-RJ RECORRE AO CNJ CONTRA CORTE DE PONTO
O coordenador jurídico do Sind-Justiça, Renato Ferraz, permaneceu em Brasília nesta quinta-feira, dia 2 de dezembro, fazendo contato direto com o ministro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) José Adonis Callou de Araújo Sá. “O conselheiro ficou de analisar a juntada de novas provas e o Pedido de Reconsideração que fizemos em face o Pedido de Liminar”, informa Renato.
Os mais de mil contracheques reunidos pelo SINDJUSTIÇA, todos com o absurdo desconto, foram entregues ao ministro. Corre agora o prazo regimental estabelecido pelo CNJ para que reconsideração da liminar seja apreciada. Para fortalecer a nossa reivindicação, está sendo organizada uma caravana para ir ao Distrito Federal, caso seja necessário.
Enquanto o CNJ não se manifesta, a gente vai se virando como pode, procurando dar assistência financeira aos que foram punidos, utilizando para isso o dinheiro recolhido pelo Fundo e pelo Bônus de greve.
O Comando de Greve, diante da atual situação do valor disponível, vai priorizar os servidores que estão em situação mais crítica — os que pagam pensão alimentícia, os que têm despesa com tratamento médico ou com filhos, por exemplo. O SINDJUSTIÇA divulgará em breve a lista das prioridades, entretanto as solicitações para recebimento da ajuda já podem ser feitas.
SINDJUS-MA DECLARA APOIO À GREVE NO TJ-RJ
O SINDJUSTIÇA-RJ é o maior sindicato de servidores da Justiça dos estados brasileiros. Todos os anos suas greves são um marco na história do sindicalismo combativo e de vanguarda. O corte de ponto de milhares de serventuários promovido pela administração TJ-RJ visa esvaziar a greve e quebrar o maior e mais aguerrido sindicato dos trabalhadores do Judiciário Brasileiro. Mas a greve dos companheiros fluminenses não pode ser derrotada. Eles são um exemplo para o Maranhão e para o Brasil.
Em novembro de 2002, Amarildo Silva, coordenador geral do SINDJUSTIÇA-RJ veio pela primeira vez a São Luís, onde participou de uma assembléia geral dos Oficiais de Justiça concursados do TJ-MA, que iniciavam sua militância sindical e estavam ainda todos em estágio probatório. Ele foi o principal incentivador da criação de um único e forte sindicato representativo de todos os trabalhadores do Judiciário maranhense, ao lado de Giovanni Ferraz do SINDJUS do Rio Grande do Sul.
Em setembro de 2005, Amarildo Silva retornou ao Maranhão pela segunda vez. Do aeroporto de São Luís, onde desembarcou às 02 horas da manhã, ele seguiu direto para Arari, Bacabal e Caxias. Nestas comarcas, ele conversou com os Oficiais de Justiça em greve, trazendo consigo o irrestrito apoio dos colegas do TJ-RJ à luta da categoria pela implantação do auxílio transporte para cumprimento de mandados judiciais.
Na bagagem, Amarildo Silva trouxe R$ 2.000,00 (dois mil reais) coletados pelos Oficiais de Justiça do TJ-RJ para ajudar nas despesas da greve dos colegas maranhenses e mais R$ 2.000,00 (dois mil reais) doados pelo SINDJUSTIÇA-RJ. Esses recursos serviram em sua maior parte para o pagamento das inúmeras ligações interurbanas realizadas naquela greve pelo recém-criado SINDJUS-MA, tendo em vista a grande atenção das comarcas do interior do estado ao movimento grevista. A comarca de São Luís não aderiu ao movimento paredista.
Hoje, são os colegas do TJ-RJ que precisam muito do apoio dos maranhenses. Por tudo isso, em apoio aos trabalhadores do TJ-RJ, a diretoria do SINDJUS-MA decidiu comprar R$ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS) em bônus de greve do SINDJUSTIÇA-RJ como forma de manifestar assim sua efetiva solidariedade aos colegas daquele estado co-irmão.
Os recursos utilizados pelo SINDJUS-MA para a compra dos bônus de greve do SINDJUSTIÇA-RJ são provenientes das mensalidades exclusivamente dos seus sócios oficiais de justiça aposentados.

