Carta de um Técnico Judiciário ao Sindjus
21/01/2011 | 00:00 - matéria visualizada 391 vezesMOTIVOS PARA A NÃO-ADESÃO À GAJ
Em um primeiro momento, 20% de aumento sobre o vencimento de qualquer servidor, nos parecem razoável, mas após uma análise mais apurada, percebemos que essa é uma decisão completamente desarrazoada por parte da administração, diante de tal fato, destacamos os seguintes pontos:
1- Conforme já dito alhures neste site, se o aumento da carga horária é de 33,3%, no mínimo este seria o índice aceitável do valor inicial da gratificação.
2- Tendo por base, por exemplo, o vencimento base de um Técnico e o índice de 20% imposto pelo TJ, isto representaria algo em torno de R$ 400,00 (quatrocentos reais), imagine a seguinte situação: um servidor que antes almoçava em casa e agora tem de almoçar próximo ao seu local de trabalho, pois não tem tempo de ir a sua casa no intervalo ou não vai para economizar na passagem; se tal servidor gastar uma média de 10 reais com almoço e trabalhando 22 dias/mês (descontando os sábados e domingos), isso representará R$ 220,00 (duzentos e vinte reais). Diante do valor pago pelo TJMA temos: 400,00 – 220,00 = 180,00 (cento e oitenta reais). O aludido servidor além de ficar 10 horas seguidas a serviço do TJMA, ou seja, 4 horas a mais, e não apenas duas, ganhará mensalmente apenas ridículos R$ 180,00 reais por isso. Façam as contas, vale a pena?? Serão 88 horas a mais por mês por apenas R$ 180,00 reais. Pouco mais de R$: 2,00 reais por ora a mais trabalhada.
3- Se a situação for de se trabalhar de fato as 8 horas, ou seja, o servidor voltando a sua residência para o intervalo de 2 horas, a situação não é muito diferente, pois o mesmo perderá um turno inteiro para resolver seus afazeres particulares. Conforme se sabe e se vê, na maioria das Comarcas, não se tem a mínima estrutura para trabalhar, onde as condições físicas são boas, faltam servidores, e onde existe quantidade suficiente de servidores, a estrutura física é precária. Sem falar das Comarcas onde não existe nem um, nem outro. Por via de conseqüência, quando o servidor retornar ao final do dia para sua residência, vai querer apenas descansar, sem o mínimo ânimo para estudar. De fato aceitar dois turnos de trabalho, é o mesmo que aceitar que a sua vida profissional finda no TJMA, pois tempo para estudar e sair de lá, não haverá.
4- E para aqueles que ainda pensam em aderir a essa GAJ vergonhosa do TJMA, o Sindjus lembra que a atual Constituição Brasileira de tem como princípio máximo da Dignidade da Pessoa Humana e deste princípio, deriva a Família, o local onde verdadeiramente se forma a pessoa humana, onde temos nossa verdadeira teia de solidariedade, afeto amor, valores estes que não podem ser mensurados.
Então perguntamos: que tempo teremos para ficar com nossas famílias? Para isso, deixamos a seguinte pergunta que não quer calar do servidor o pseudônimo “INDIGNADO” que comentou dia 12/01/2011 no nosso site: “Bravo! Maravilha! Olha, que coisa boa, desembargador Jamil! O senhor demonstra com essa decisão que é uma pessoa humana e caminha a passos largos para ser o melhor presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão. Confesso que estou emocionado com mais essa chicotada. Agora veja o senhor, Meu Querido Presidente: eu, Técnico Judiciário, pai de dois filhos pequenos, única fonte de renda da casa, sonhei dia e noite com essa gratificação, afinal de contas, seria mais um dinheirinho que entraria em casa.
Aí fiz as contas: uma hora a mais (sim, eu iria optar pelas sete horas corridas) pra ganhar 20% do salário fica bacana, vale a pena, vale o tão sonhado plano de saúde das minhas crianças. Hoje saio de casa as 06h30 da manhã (eu moro em São Luís e trabalho numa comarca na ilha) pra chegar no trabalho as 08h00. Aí saio as 14h00 pra chegar em casa por volta das 16h00. Com sete horas corridas estaria em casa por volta das 17h00. Nada mal, valeria o sacrifício pelos quase R$ 300,00 a mais no contracheque. Agora, meu presidente amado e querido, com sua decisão, veja o que vai acontecer, caso eu seja obrigado pela necessidade a aceitar as oito horas diárias de trabalho: vou sair de casa as 06h30 da manhã pra chegar no trabalho as 08h00.
Aí trabalho das 8 ao meio dia. Paro duas horas pro almoço (não dar pra almoçar em casa, ficaria muito caro, afinal eu moro distante cerca de 45 km do meu local de trabalho e teria que pegar mais quatro ônibus, dois pra ir almoçar e dois pra voltar do almoço. Ou seja, todos os dias eu teria que gastar R$ 8,40 só com passagens), recomeçaria às 14h00 e iria até às 18h00. Se eu tiver um pouco de sorte e o ônibus não atrasar, vai dar pra sair umas 18h20, aí devo chegar em casa por volta das 20h40, quando minhas crianças já estarão dormindo. Ou seja, vou ter que me contentar em ver meus filhos somente nos finais de semana.
Quando sair pro trabalho os bichinhos vão estar dormindo, quando chegar idem. E aí, o que Vossa Excelência me diz? Ou prefere não dizer nada e eu que me exploda? Gratificação pra Juiz Diretor de Fórum, gratificação pra juiz que vai mudar de Comarca o Tribunal tem. E tem outras tantas notícias boas para os magistrados, afinal, como já bem disse um desembargador, o TRIBUNAL É UMA CASA DOS MAGISTRADOS, NÃO DE SERVIDORES!”
OBS: Em seu email, o colega autor do texto acima - que é técnico judiciário da comarca de São Luís - pediu à Diretoria do Sindjus para não ser identificado.

