Assembléia Geral mantém suspensa greve geral dos servidores do TJMA
18/09/2011 | 00:00 - matéria visualizada 823 vezesPor unanimidade, a assembléia geral dos servidores do Poder Judiciário do Maranhão realizada neste sábado, 17, em Santa Inês, decidiu aprovar as negociações conduzidas pelo comando de greve do Sindjus e manter suspensa a greve geral da categoria.
No entendimento dos trabalhadores que participaram da assembléia geral, procedentes das comarcas de São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar, Caxias, Pindaré Mirim, Governador Nunes Freire, Balsas, Bacabal, Santa Luzia do Paruá, Viana, dentre outras, o resultado das negociações com a direção do Tribunal de Justiç a foi considerado positivo, apesar de não se ter resolvido ainda o abono das faltas e o desconto dos dias parados durante a greve. Quanto à questão dos 11.98% da URV, ela será encaminhada com a próxima administração do TJMA.
A assembléia geral foi aberta com a apresentação de um relatório por Anibal Lins e Marcio Luis, em nome do Comando de Greve, sobre as negociações com o presidente Jamil Gedeon e com a comissão de desembargadores. Para conhecer o inteiro teor do relatório clique aqui.
Apesar dos avanços em torno das questões econômicas, a exemplo da reposição das perdas inflacionárias e dos auxílios alimentação, saúde e transporte, por não ter havido ainda solução para o abono das faltas e os descontos dos dias parados, os servidores entenderam, por unanimidade, não ser possível declarar encerrada a greve. “O sindicato deve continuar informando os servidores e visitando as comarcas para manter a categoria mobilizada. A luta não acabou”, conclamou Fredson Costa, técnico judiciário de Balsas e diretor de Imprensa do Sindjus.
CONSTRANGIMENTO
O advogado Pedro Duailibe, assessor jurídico do Sindjus, reiterou aos presentes que conversou com o presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Jamil Gedeon, antes da assembléia geral de Bacabal e que o mesmo havia se comprometido de “negociar” o abono das faltas e os descontos da greve.
“Negociar não é deixar que outro decida a questão. Deixar que a Justiça decida questão do abono das faltas e dos descontos é transferir para um terceiro algo que deveria ser resolvido na mesa de negociação. Se fosse para deixar judicializado não seria preciso haver negociação. Estou constrangido com essa posição do presidente Jamil Gedeon e vou conversar com ele na primeira oportunidade que tiver, pois acredito que as centenas de servidores que estiveram em Bacabal talvez tivessem tomado outra decisão, em vez de suspender a greve, se eu não lhes tivesse transmitido com exatidão as palavras do presidente”, declarou o advogado.
NEGOCIAÇÕES
Na opinião de Rainaldo Vieira, oficial de justiça de Porto Franco, o corte do ponto dos servidores que fizeram greve já era esperado e ninguém deveria ter ilusões quanto a isso. “Quem não sabia que isso ia acontecer? Eu já esperava e não vou me deixar intimidar por causa disso. Nosso recado foi dado e nossos objetivos em parte alcançados. Eu entrei na greve consciente e não me arrependo. Se precisar retomar a greve, não vão me intimidar. Confio na direção do sindicato. Apóio a suspensão da greve e a continuidade das negociações pelo comando do movimento”, discursou.
Para Nonato Moraes, técnico judiciário de Viana e membro do Comando de Greve do Sindjus, o sindicato deve intensificar agora sua intervenção em duas frentes: nos contatos com os desembargadores, no intuito de fazer com que as negociações avancem mais e seja aceita a reposição dos dias parados e garantida a devolução dos descontos da greve; e no desenvolvimento de uma política de formação de lideranças nas comarcas. “Soube de uma comarca da Baixada onde havia um grupo de três servidores que queria puxar a greve. Mas eles se sentiam sem força porque outros três servidores que antes puxavam o movimento foram removidos. Resultado, lá ficou sem liderança. Precisamos dar mais atenção a esse tipo de situação”, alertou.
DELIBERAÇÕES
Ao final do encontro, os servidores decidiram por unanimidade que o Comando de Greve deve insistir na retomada dos contatos com a direção do TJMA durante esta semana visando garantir uma solução de fato negociada para o abono das faltas e para os descontos da greve, e não uma imposição por birra da administração. “Para quem tem família e filhos para criar, o melhor é tentar convencer a administração a garantir uma folha suplementar”, defendeu Janira Carvalho, auxiliar judiciária da comarca de Imperatriz.
Como o Sindjus vai participar da elaboração e acompanhar a execução do orçamento do Tribunal de Justiça, os servidores decidiram também por unanimidade indicar os servidores Emanoel Jansen e Wancleide Moreno como novos representantes do sindicato junto à administração para essa missão. No orçamento deverá constar a previsão de recursos para correção dos auxílios alimentação, saúde e transporte, como também da reposição das perdas inflacionárias de 2012, para os cursos de capacitação, as progressões e as promoções na carreira dos servidores.
Na avaliação de Márcio Luis Sousa, tesoureiro do Sindjus e diretor da Federação Nacional dos Servidores do Judiciário dos Estados – FENAJUD, os servidores demonstraram na mesa de negociação que o atendimento das reivindicações da categoria era possível e que o bom senso pode prevalecer. “Nós não fizemos passeata debaixo de chuva, não ficamos dias no sol quente comendo bandeco fora de hora e enfrentando todo tipo de pressão por promoção pessoal. Fizemos porque não queriam atender legítimas reivindicações da classe. Vamos continuar trabalhando para avançar nas negociações, crendo que o bom senso prevalecerá. Pois o servidor pode até esquecer o nome do presidente que não deu o aumento. Mas jamais esquecerá aquele que reteve os salários da greve e que não devolveu, mesmo tendo todos os meios de fazer isso e de chegar a um acordo com os trabalhadores. É assim que o presidente Jamil quer ser lembrado?”, questionou.
O resultado das próximas conversas do Comando de Greve com os representantes da administração e também do trabalho dos representantes do Sindjus, Wancleide Moreno e Emanoel Jansen, que vão acompanhar a elaboração e execução do plano orçamentário do Tribunal de Justiça do Maranhão, serão discutidos pela classe em nova assembléia geral, cuja data será divulgada em momento oportuno. Em preparação ao próximo encontro da categoria, a direção do Sindjus vai retomar a visitação a todas as comarcas e a edição especial de um jornal exclusivo sobre a greve de agosto deste ano e sobre o desfecho das negociações.

