Concurso para juízes do TJMA é motivo de polêmica na imprensa maranhense
1/12/2008 | 00:00 - matéria visualizada 319 vezesEm abril passado, o SINDJUS requereu ao CNJ que determinasse ao TJMA realizar seu concurso para admissão dos novos juizes através de uma empresa independente, idônea e experiente nesse tipo de certame. Além disso, O SINDJUS requereu ainda que fosse anulado dispositivo da Resolução 22/08, que favorece assessores de magistrados na prova de títulos. A decisão do relator Marcelo Nobre deve sair nas próximas horas. A tramitação do pedido de providências do SINDJUS ao Conselho Nacional de Justiça pode ser acompanhada na internet, através do site www.cnj.jus.br. Leia, a seguir, a íntegra do artigo do jornalista Chico Viana. "Resista, doutor Cutrim! Lhano no trato e firme nas decisões, o desembargador Raimundo Cutrim imprimiu sua marca indelével na história do Tribunal de Justiça do Estado. Sem falar na inédita valorização dos servidores da casa, tomou uma atitude única, em relação a concursos para Juiz de Direito do Estado: pela primeira vez uma instituição especializada foi contratada para fazer o certame e avaliar isentamente a qualificação dos concorrentes. Como é que era feita antigamente? Ah, histórias é que não faltam sobre volumosas e estranhas movimentações verificadas nos QGs nas proximidades e dias de prova. QGs eram salas ou outros locais disponibilizados onde ficavam as famosas comissões de concursos. Gente reprovada várias vezes na prova da Ordem galgava primeiros lugares na lista dos aprovados; sobrenomes conhecidos explicitavam a relação de parentesco entre os que examinam e os que eram examinados; funcionários de gabinete de governador eram candidatos com pule de dez, não havia como ser reprovados. Contam que era uma verdadeira farra. Agora doutor Cutrim deu basta nisso e a turma dos apadrinhados está se mordendo. Vejam os senhores que, em primeiro lugar, e este pode não ser um caso, um Juiz concedeu uma limitar a um candidato que, depois de examinar o gabarito, verificou que não acertaria os 50 pontos previstos no edital do concurso, pasmem, previstos no edital do concurso. Tudo bem, é um caso pontual e deverá ser resolvido rapidamente por instâncias superiores tão absurdo é o pleito. Mas ontem, o que aconteceu foi demais. Alguns desembargadores foram ao Presidente do Tribunal simplesmente pedir ao dr. Cutrim que anulasse o concurso. Motivo: a prova foi muito difícil; a nota de corte exagerada. A prova: a maioria dos assessores dos que foram fazer esta canhestra reivindicação não alcançaria a segunda etapa. Houve um bate boca danado, à margem da liturgia e do respeito que exige as relações entre autoridades dignas e respeitáveis. Mas o doutor Cutrim não transigiu, nem deveria. Não se joga no lixo todo patrimônio moral de um homem, para atender espúrios interesses que medraram anos neste Estado, o que repercutiu de maneira brutal sobre a qualidade dos serviços jurisdicionais prestados em priscas eras, que melhorou bastante, mas, pelo que se vê, ainda tem muito que ser depurado Parabéns, doutor Cutrim, sua biografia não mereceria sequer esta postulação imoral. (Chico Viana) FONTE: JORNAL PEQUENO - EDIÇÃO DO DIA 28 DE NOVEMBRO DE 2008 - SEXTA FEIRA, PÁGINA 02, COLUNA "ATOS, FATOS E BARATOS".

