Arlinda Reis, analista judiciária do TJMA, fala sobre os benefícios da licença maternidade
21/07/2009 | 00:00 - matéria visualizada 336 vezesNo dia 27 de fevereiro de 2009, Arlinda Reis tomou posse do cargo de analista judiciária, mas com algo peculiar: ela estava grávida de 7 meses do seu segundo filho. “Quando fui chamada para tomar posse já estava no sétimo mês de gravidez, apesar de saber que por lei não haveria impedimento para tomar posse, confesso que senti medo por não saber como seria recebida. Sempre trabalhei na iniciativa privada e sei que são realidades diferentes. Mas, fui surpreendida com a receptividade das pessoas e por saber que poderia passar seis meses integralmente cuidando do meu filho”, disse a servidora.
Hoje, há mais de 2 meses de licença maternidade, a analista judiciária Arlinda entende perfeitamente a importância desse momento tanto para as mães quanto para os bebês. “Olhando pelo ponto de vista da maternidade, você precisa dedicar tempo para cuidar de um bebê. Temos que amamentar de 3h em 3h, por conta disso, as noites são bem mais cansativas já que acordamos várias vezes para amamentar. A licença é um direito fundamental para as mães e também para os filhos”, explicou.
Em entrevista ao jornal do Sindjus, que circula na próxima semana, Maria Arlinda Reis de Marques Freitas, mãe, mulher, psicóloga e analista judiciária do TJMA fala sobre a licença maternidade e a condição feminina no mercado de trabalho. Ela também opina sobre a proposta do Sindjus de criar um núcleo de reflexão sobre a condição feminina na Justiça e se disponibiliza a ajudar no processo de criação do núcleo.
Licença maternidade
A ampliação da licença maternidade de 120 dias para 180 dias foi uma importante conquista do Sindjus. Levando em consideração o desenvolvimento da afetividade entre mãe e filho nos primeiros meses após a gestação, e o fato de que cada vez mais as mulheres adiam a maternidade por se sentirem inseguras em relação à carreira profissional.
Com mais de 20 anos no mercado de trabalho, a analista judiciária Arlinda Reis acredita que apesar de todas as conquistas das mulheres como profissionais, a maternidade ainda é uma questão delicada. “No início da minha carreira, presenciei casos de amigas que foram desligadas da empresa porque tiveram filhos ou ainda porque se relacionaram com colegas de trabalho. A conseqüência disso é que as mulheres estão menos interessadas em ter filhos com medo de serem discriminadas no trabalho”, explicou.
Condição feminina no trabalho
Além da maternidade outros fatores contribuem para diferenciar a carreira profissional das mulheres em relação aos homens. Segundo relatório divulgado no dia 11 de junho de 2009 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mesmo com avanços obtidos nos últimos anos, a condição feminina no mercado de trabalho “está longe” da igualdade em relação aos homens.
O relatório aponta que, dentre os fatores que contribuem para o quadro de desigualdade, está a dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal já que recai sobre as mulheres maior responsabilidade em relação aos filhos e a família. Para mudar esse quadro a OIT sugere, por exemplo, a ampliação de políticas públicas que proporcionem equilíbrio entre o trabalho, a família e a vida pessoal das mulheres. Para a OIT, as políticas devem tornar o exercício do trabalho mais compatível com as responsabilidades familiares entre homens e mulheres.
Visando o desenvolvimento de propostas e políticas de apoio à condição feminina no poder judiciário do Estado do Maranhão, o Sindjus em sua carta programa propôs a criação de um núcleo de reflexão sobre a condição feminina na Justiça. Além de ter como foco questões ligados à maternidade, à família e a carreira profissional das mulheres, o núcleo também prestará assistência as mulheres que sofreram assédio moral, já que são elas as maiores vítimas dessa violência.
Como psicóloga Arlinda Reis elogiou a iniciativa do Sindjus e se dispôs a participar do processo de criação do núcleo. Ela sugeriu que a assistência psicológica às vítimas de assédio moral seja estendida a todos os servidores e, ainda, que as políticas de apoio a condição feminina façam parte de um programa que inclua as necessidades de todos os servidores do Tribunal de Justiça. “Acho importante a criação desse núcleo, gostaria muito de participar desse trabalho, principalmente, se eu puder ajudar como psicóloga para prestar assistência aos servidores que sofrem com as conseqüências do assédio moral no trabalho”, disse a analista.
Confira a entrevista na íntegra na 4° edição do jornal do Sindjus que circula na próxima semana. O jornal Linha de frente traz uma matéria especial sobre a campanha pelo realinhamento salarial dos técnicos, comissários e oficiais de justiça, um suplemento especial sobre a insalubridade no TJMA, a prestação de contas do Sindjus relativa ao primeiro semestre de 2009, entre outras matérias. Não perca!

