Greve no TJ-TO já é a mais longa da história do Judiciário do Brasil
23/04/2010 | 00:00 - matéria visualizada 297 vezesEm assembléia geral realizada na última terça-feira, 20, os servidores do Tribunal de Justiça do Tocantins deliberaram prosseguir com a greve geral da categoria e rejeitaram a proposta de acordo oferecida pela administração. Com isso, a greve dos servidores do TJ-TO, que completa 75 dias nesta sexta-feira, já é a mais longa de toda a história do Judiciário brasileiro.
Em mais uma Assembléia Geral Extraordinária da categoria, os servidores do judiciário, reunidos no auditório da Associação Tocantinense dos Municípios – ATM -, deliberaram na tarde desta terça-feira, 20, pela continuidade do movimento paredista, até que o Tribunal apresente garantias que a reestruturação do PCCV, sugerida pelo Pleno do TJ, contemple a igualdade salarial entre servidores da 1ª e 2ª instâncias.
A categoria teme que a pretensa revisão seja apenas uma forma para legalizar os valores salariais hoje percebidos pelos servidores da 2ª instância, que, indistintamente, recebem algum tipo de tipo de adicional, reconhecidamente irregular, conforme apurado pelo relatório elaborado pela comissão Especial.
Por falar em relatório, o que aconteceu com a votação do referido estudo? O que existe de tão grave e comprometedor esse documento assinala, que criou-se uma cortina de fumaça em torno do assunto. A não apreciação do relatório pelo pleno do TJ, nos remete a inúmeros questionamentos. Era promessa da comissão repassar ao sindicato uma cópia do estudo, o que acabou não acontecendo.
De qualquer forma, já temos conhecimento do documento e, estaremos divulgando não só aos nossos servidores, como também às entidades que têm interesse direto no assunto, além da sociedade como um todo, a íntegra do teor documento.
DE COSTAS PARA A DEMOCRACIA
Ainda é assunto recorrente na sociedade, entre servidores, advogados, magistrados, a forma, no mínimo, autoritária e deselegante, como foi negada a palavra ao Presidente do SINSJUSTO, José Carlos Pereira, na sessão plenária do TJ, ocorrida na última quinta-feira, 15, quando seria votado o ultra-secreto relatório da Comissão Especial.
Ao negar a palavra e dar as costas ao presidente do sindicato, caiu por terra o discurso de democracia e diálogo, exaustivamente apregoado pela presidência do TJ. Aliás, na assembléia geral, servidores também citaram o episódio para exclamar que, ao dar as costas ao presidente do SINSJUSTO, a presidência do Tribunal estava, no mesmo ato, não só dando costas ao sindicato, mas também a todos os servidores da justiça que lotavam o auditório do plenário, assim como para aqueles que acompanhavam a sessão através da maravilha tecnológica chamada internet.
O fato serviu para o seguinte questionamento, na assembléia: se nos foi dada as costas diante da imprensa, magistrados, servidores, advogados e presentes de uma forma geral, quem nos garante que a revisão do PCCV terá como premissa a igualdade salarial entre servidores de 1º e 2º graus? O episódio e as interrogações acabaram contribuindo para que os servidores decidissem pela continuidade da greve, até que a isonomia salarial seja garantida na revisão.
Em suma, entendemos que a revisão do PCCV é forma através da qual se alcançará a legalização do realinhamento salarial desejado, mais também reconhecemos que falta-nos a garantia da Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargadora Willamara Leila, que a revisão do plano de cargos e carreiras não seja mais uma forma de legitimar a segregação salarial hoje existente entre servidores do tribunal e das comarcas. Isso seria mais um golpe de difícil assimilação, pelos servidores. Isso, os servidores não mais admitem.

